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Cultura / História

História de Cocais (MG): o arraial do ouro que deu nome a Barão de Cocais

Cocais nasceu no ciclo do ouro, no início do século XVIII, e é a terra natal do Barão de Cocais, que dá nome ao município. Veja a linha do tempo, as igrejas tombadas pelo Iphan e o que visitar hoje.

Igreja histórica de Cocais com fachada branca, frontão em volutas amarelas, torre sineira central e portão vinho no muro caiado, sob céu azul, em Barão de Cocais (MG)
Igreja histórica no distrito de Cocais, em Barão de Cocais (MG). Foto: wanderley santos vie…, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

Cocais é um distrito histórico de Barão de Cocais (MG) que nasceu no ciclo do ouro, no início do século XVIII, e guarda até hoje duas igrejas tombadas pelo Iphan desde 1939. É também a terra natal de José Feliciano Pinto Coelho da Cunha, o Barão de Cocais — o título que, em 1943, virou o nome do município inteiro.

Quem chega a Cocais encontra um largo de pedra, casario antigo, igrejas setecentistas e um silêncio que convida a caminhar devagar. Por trás dessa calma existe uma história de ouro, de minas inglesas, de revolução política e de fé popular. Neste guia contamos essa história com base em fontes oficiais (IBGE, Iepha-MG, Ministério Público de Minas Gerais) e mostramos o que dá para ver hoje, a pé, a partir da vila.

Como surgiu Cocais?

Cocais surgiu no início do século XVIII, quando bandeirantes e mineradores se espalharam pelas serras do centro de Minas Gerais atrás de ouro. A região entre Santa Bárbara, Catas Altas e o atual Barão de Cocais foi uma das áreas de mineração do chamado ciclo do ouro, e os arraiais nasceram em torno das lavras, dos córregos e das capelas.

A Capela de Sant'Ana, no largo de Cocais, tem sua construção atual datada do século XVIII e, segundo o Ministério Público de Minas Gerais, sua origem está ligada aos primórdios da ocupação da região. A Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos esteve ligada a uma irmandade formada por pessoas escravizadas, negros libertos e mestiços — um lembrete de quem, de fato, trabalhou nas minas e ergueu o arraial.

Sobre datas: circulam versões com dia exato de fundação de Cocais, mas não encontramos confirmação em fonte oficial. Por isso, aqui falamos em "início do século XVIII", que é o que as fontes sustentam.

Cocais e Morro Grande: qual é a diferença?

São dois núcleos diferentes do mesmo município:

  • Morro Grande é a origem da atual sede de Barão de Cocais. Segundo o IBGE, em 1713 bandeirantes vindos do Rio de Janeiro, de São Paulo e da Bahia fundaram ali um povoado com uma capela simples dedicada a São João Batista; como ficava ao pé de um grande morro, ganhou o nome de Morro Grande. O distrito foi criado por alvará em 28/01/1752, e a Matriz de São João Batista foi construída em 1764.
  • Cocais é a vila histórica a alguns quilômetros da sede, com a Capela de Sant'Ana, a Igreja do Rosário e o largo de pedra. Hoje é um dos dois distritos do município (o outro é a própria sede).

Até 1943, a região pertencia ao município de Santa Bárbara.

Linha do tempo: de arraial do ouro a distrito histórico

QuandoO que aconteceuFonte
Início do séc. XVIIIDescoberta de ouro na região; surgem os arraiais, entre eles Cocais e a área do Gongo SocoIepha-MG
1713Fundação do povoado que viraria Morro Grande (sede atual)IBGE
28/01/1752Criação do distrito de Morro GrandeIBGE
1764Construção da Matriz de São João Batista, na sedeIBGE
1792Nasce José Feliciano Pinto Coelho da Cunha, perto da vila de CocaisBiografias do barão
1826–1856A mina de Gongo Soco, sob a companhia inglesa Imperial Brazilian Mining Association, produz 12.887 kg de ouroIepha-MG
1842O futuro barão comanda a Revolução Liberal em MinasBiografias do barão
1855Dom Pedro II concede o título de Barão de CocaisBiografias do barão
1925A Companhia Brasileira de Usinas Metalúrgicas instala usina de ferro-gusa no distrito de Morro GrandeIBGE
1939Capela de Sant'Ana e Igreja do Rosário dos Pretos, em Cocais, são tombadas pelo IphanMPMG
31/12/1943Lei estadual cria o município de Barão de Cocais, desmembrado de Santa Bárbara, com os distritos de Barão de Cocais, Bom Jesus do Amparo e CocaisIBGE
1953Bom Jesus do Amparo se emancipa; o município fica com a sede e CocaisIBGE
1995Ruínas de Gongo Soco são tombadas pelo EstadoIepha-MG
2007Núcleo Histórico Urbano de Cocais passa a ser protegido pelo municípioMPMG

Quem foi o Barão de Cocais?

O Barão de Cocais foi José Feliciano Pinto Coelho da Cunha (1792–1869), filho da região de Cocais. As biografias registram que ele nasceu em 1º de dezembro de 1792, na Fazenda da Cachoeira, perto da vila, e foi batizado na Capela de Sant'Ana.

Ao longo da vida foi militar (tenente-coronel), fazendeiro, deputado e chegou a governar a província de Minas Gerais. Em 1842, foi um dos comandantes da Revolução Liberal em Minas — o levante dos liberais contra o governo imperial, que terminou com a pacificação conduzida pelo então barão de Caxias. Mais tarde, anistiado, voltou à vida política e, em 1855, recebeu de Dom Pedro II o título de Barão de Cocais. Foi o primeiro e único a usar esse título.

Ele morreu em 9 de julho de 1869 e foi sepultado na Igreja de Sant'Anna, em Cocais. Hoje, uma estátua do barão fica no largo da igreja, perto de onde era sua residência — inaugurada pela prefeitura na comemoração dos 230 anos de seu nascimento.

Por que o município se chama Barão de Cocais?

Porque, quando o antigo distrito de Morro Grande foi elevado a município, em 31 de dezembro de 1943, recebeu o nome de Barão de Cocais em homenagem ao barão nascido em Cocais. Por isso há essa confusão comum: Barão de Cocais é o município (com sede no antigo Morro Grande) e Cocais é o distrito histórico onde o barão nasceu e está sepultado.

O que foi a mina de Gongo Soco?

Gongo Soco foi uma das minas de ouro mais importantes de Minas Gerais no século XIX, dentro do atual município de Barão de Cocais. Segundo o Iepha-MG, o ouro foi descoberto ali no início do século XVIII, e nas primeiras décadas do século XIX a mina e sua vila foram compradas pela companhia inglesa Imperial Brazilian Mining Association. Entre 1826 e 1856, sob direção inglesa, a mina produziu 12.887 kg de ouro.

A companhia trouxe mineiros britânicos, muitos da Cornualha, para trabalhar ao lado de trabalhadores brasileiros e de pessoas escravizadas. Quando o ouro mais profundo ficou inalcançável para as máquinas da época, a produção caiu e a mina fechou. No século XX, a área passou à mineração de ferro.

O Conjunto das Ruínas de Gongo Soco foi tombado pelo Estado em 1995. Visitação: as fontes oficiais não informam visitação turística aberta; a área fica em terreno de mineração. Se quiser conhecer, informe-se antes com a prefeitura ou com guias locais — não vá por conta própria.

O que ver hoje da história de Cocais?

O melhor da história de Cocais se vê a pé, em poucas horas (veja também o circuito turístico de Cocais):

  1. Largo de Cocais — o calçamento de pedra e o casario antigo formam o Núcleo Histórico Urbano, protegido pelo município desde 2007.
  2. Capela de Sant'Ana — construção do século XVIII, tombada pelo Iphan desde 1939; é onde o barão foi batizado e sepultado.
  3. Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos — tombada pelo Iphan desde 1939, mistura traços barrocos e neoclássicos e conta a história das irmandades negras (leia Memória e fé em Cocais).
  4. Estátua do Barão de Cocais — no largo da igreja.
  5. Matriz de São João Batista, na sede de Barão de Cocais — construída em 1764, segundo o IBGE.
  6. Pinturas rupestres da Pedra Pintada — a história da região é muito mais antiga que o ouro (leia nosso artigo sobre as pinturas).

Dica: as igrejas nem sempre estão abertas fora de missas e festas. Em agosto de 2026, a Justiça determinou, a pedido do Ministério Público, medidas emergenciais de conservação nas igrejas de Cocais — vale perguntar na pousada como está o acesso no dia da sua visita.

A Estrada Real passa por Cocais?

Sim. Cocais está no Caminho dos Diamantes da Estrada Real, entre Bom Jesus do Amparo e Barão de Cocais. Quem faz o caminho a pé, de bicicleta ou de carro pode carimbar o passaporte na Pousada das Cores, que é ponto de carimbo. Veja os detalhes no nosso guia da Estrada Real em Cocais.

Onde ficar para conhecer a história de Cocais?

A Pousada das Cores fica no próprio distrito de Cocais, na Rua José de Almeida Matias, 380 — dá para fazer o roteiro histórico pela vila, voltar para descansar e, no fim da tarde, aproveitar o sossego. Grupos de escola, igreja ou empresa que queiram fazer o roteiro histórico juntos podem ver as condições em Grupos e empresas, e as opções de quarto estão em Acomodações. Check-in a partir das 12h e check-out até as 14h, o que deixa a manhã livre para as igrejas e o largo.

Para completar a viagem: cachoeiras a cerca de 10 minutos de carro (como a Cachoeira de Cocais), o passeio de trem da Vale até a estação Dois Irmãos, o Santuário do Caraça e a comida mineira do Restaurante Betel, do mesmo grupo da pousada.

Perguntas frequentes

Quando Cocais foi fundada?

Cocais surgiu no início do século XVIII, no ciclo do ouro. Não encontramos fonte oficial com o dia exato de fundação; a Capela de Sant'Ana, no largo, tem construção atual do século XVIII.

Quem foi o Barão de Cocais?

José Feliciano Pinto Coelho da Cunha (1792–1869), nascido perto da vila de Cocais. Foi militar, deputado, governou a província de Minas Gerais, comandou a Revolução Liberal de 1842 em Minas e recebeu o título de barão de Dom Pedro II em 1855. Está sepultado na Igreja de Sant'Anna, em Cocais.

Qual a diferença entre Cocais e Barão de Cocais?

Barão de Cocais é o município, com sede no antigo povoado de Morro Grande. Cocais é um distrito histórico do município, onde nasceu o barão que dá nome à cidade.

Quais igrejas de Cocais são tombadas?

A Capela de Sant'Ana e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, tombadas pelo Iphan desde 1939. O Núcleo Histórico Urbano de Cocais é protegido pelo município desde 2007.

Dá para visitar as ruínas de Gongo Soco?

As ruínas são tombadas pelo Estado (Iepha-MG, 1995), mas ficam em área de mineração e as fontes oficiais não informam visitação turística aberta. Consulte a prefeitura ou guias locais antes de ir.

Quanto tempo leva o roteiro histórico em Cocais?

O largo, as igrejas e a estátua do barão ficam próximos e podem ser vistos a pé em poucas horas. Para incluir a Matriz de São João Batista, na sede, é preciso ir de carro.

Venha conhecer Cocais de perto

Reservando direto pelo site da Pousada das Cores, você ganha 10% de desconto no Restaurante Betel durante toda a estadia — comida mineira de verdade, feita em Cocais. Reserve direto com a pousada ou fale com a gente pelo WhatsApp do site: (31) 97215-1140.

Fontes: IBGE — Barão de Cocais, histórico e formação administrativa · Iepha-MG — Conjunto das Ruínas de Gongo Soco · MPMG (20/08/2026) — medidas emergenciais para proteger igrejas históricas de Cocais · Jornal de Barão — estátua do Barão de Cocais (2023) · Wikipédia — José Feliciano Pinto Coelho da Cunha · Foto de capa: wanderley santos vie… (Panoramio), CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

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